Sobre o Claudinho, o Vibes e o Codas
texto · 09/2026
por marcelo glaeser
Eu não esperava passar boa parte do meu dia conversando com um robô. E é conversando mesmo, em voz alta. Ele responde por escrito, então no fundo é um pouco falar sozinho com alguém que não exatamente responde. Mas responde. E é por essa resposta que o mundo está perdendo a cabeça. Essa resposta hidratada.
De queixo caído
Lembro da primeira vez que digitei numa caixa de prompt e recebi uma resposta. Pensei: não é possível. Vi muita gente, colegas inclusive, tendo a mesma reação na minha frente. Depois veio o LLM, veio o RAG, JEV...
Fico maravilhado do mesmo jeito que a internet me fascina. E, confesso, com um pouco de medo também.
Parece usar o computador
Pra mim, usar IA já é tão natural quanto usar o computador. Acho curioso quando converso sobre isso e a outra pessoa não sente o mesmo. Há quem diga que a gente fica dependente. Pode ser. Mas eu também dependo do computador pra trabalhar, e ninguém acha isso estranho.
Um exoesqueleto
A IA me deixa fazer coisas que eu levaria muito tempo pra aprender sozinho, como escrever certos tipos de código. Faço o vibe coding, depois encaro o vibe debugging, mas o projeto anda. Sem ela, não andaria. É um exoesqueleto: a força aumenta, a direção continua sendo minha.
O que continua sendo meu
A pesquisa, as perguntas e as decisões. Nenhum modelo sabe o que a diretora de marketing disse no café depois da reunião. A IA entra pra expandir: escrevo uma frase, peço dez variações, descarto nove. Testo cinco caminhos de sitemap em vez de um.
A IA não me deixa mais rápido pra pensar. Me deixa mais rápido pra testar o que eu pensei.
Existem pontos de atenção importantes quando ela entra no trabalho, e não são poucos. Mesmo assim, acredito que a gente precisa estar aberto a testar e entender onde ela ajuda. Seja qual for a sua área, dá pra criar alguma coisa que facilite o seu dia.
O que eu quero mesmo
Eu gosto de ciborgues. Tem um espinossauro de brinquedo aqui na minha mesa, e meu sonho é que ele fale. Que me conte qual era a dieta dele (peixe, muito peixe) e alguma história tosca de quando vagava pela Terra, uns 95 milhões de anos atrás, antes de virar enfeite de escritório.
E tem a mágica. Eu digo “crie um círculo”, e um círculo aparece.
Não é interessante?